Alagamentos prejudicam moradores

por Samantha Pimentel*

Acidade de Santa Rita, na Região Metropolitana de João Pessoa, foi uma das mais afetadas pelas chuvas que caíram, durante o fim de semana, na Paraíba. Os cursos do Rio Paraíba e do Rio Preto, que cruzam o município, avançaram mais de 200 m do seu leito normal. As águas adentraram casas e comércios próximos da área, o que fez com que alguns moradores tivessem de ser resgatados pelo Corpo de Bombeiros Militar do estado (CBMPB). Na manhã de ontem, após as águas recuarem, equipes de limpeza ligadas à Prefeitura de Santa Rita lavavam as vias, ainda repletas de lama e sujeira. Alguns cidadãos também limpavam suas casas e avaliavam os prejuízos. Muitos deles já haviam sofrido com outro alagamento, menos de dois meses atrás.

Segundo dados da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa), da última sexta-feira (26) ao domingo (28), Santa Rita registrou um volume de 180,2 mm de chuvas. Ao longo desse período, diversas equipes da gestão municipal, ligadas a setores como Defesa Civil, Segurança, Infraestrutura e Saúde, deslocaram-se para as áreas de risco, ajudando no trabalho de conscientização e retirada das famílias de localidades alagadas. O major Francélio, do CBMPB, detalhou a empreitada, que mobilizou 30 bombeiros. “Usamos embarcações, botes infláveis e jet-ski, atuando, principalmente, no resgate de pessoas e animais e auxiliando a Defesa Civil, no sentido de levar água, alimentação e medicação para as pessoas que não saíram de suas residências”. Gestão santa-ritense deslocou equipes de limpeza para remover lama e sujeira das vias | Foto: Evandro Pereira

No Núcleo de Arte e Cultura (NAC), foi montada uma estrutura para receber as famílias que precisavam de abrigo temporário. O diretor do NAC, Cláudio Emanuel Melo dos Santos, fala que a unidade está a postos para atuar sempre que houver necessidade, contando com doações que vêm sendo recebidas desde as fortes chuvas anteriores, em maio. “Temos material de limpeza, alimentos, colchões, e vamos distribuindo as doações, conforme a necessidade”, destaca o diretor do espaço, onde a população abrigada também recebe suporte em saúde e assistência social.

Duas famílias foram acolhidas no NAC: uma delas já o deixou, por meio de aluguel social, e a outra deve retornar hoje ao seu lar — é a família da dona de casa Rafaela de Sousa. Ela conta que reside, há cerca de dois meses, na Rua Professora Joana Gomes da Silveira, em uma área bem próxima ao rio. Rafaela mora com o marido e os dois filhos. “Viemos para cá [ao NAC] na noite de sábado [27]. A água entrou de repente, foi muito rápido. Tiramos alguns móveis, mas não deu para tirar outras coisas e a gente [as] perdeu. Agora, vamos voltar para lá, até porque não temos como pagar aluguel mais caro em outro lugar”, relata.

Danos

Também ontem, entre os moradores que rearrumavam suas residências para retomar a rotina, na chamada “Rua do Rio”, estava Margarida Maria da Silva. Ela afirma que já havia perdido grande parte de seus móveis no alagamento que aconteceu no mês passado e, no fim de semana, teve, novamente, a casa inundada pelas águas. “Ainda peguei uma frieira, com a bactéria da água e da lama. E os móveis, subi alguns. Consegui retirar a geladeira, mas perdi o guarda-roupa. Da outra vez, tinha recebido assistência da prefeitura e, agora, vamos ver se teremos ajuda novamente”, lamenta Margarida, acrescentando que o poder público nunca a cadastrou para integrar eventuais programas de moradia popular. “Mas, a depender do local, prefiro ficar aqui. Só saio se for para ir para um lugar melhor”, comenta.

Outra residente da mesma região, Marcilene da Silva Costa diz que, dessa vez, conseguiu remover todos os seus móveis e não perdeu nada, como lhe havia ocorrido em maio. “Da outra vez, foi muito rápido, e a gente não esperava. Dessa vez, salvamos os móveis, porque a água veio devagar. Tiramos e guardamos tudo e, agora, estamos lavando, para trazer as coisas e voltar. Só tenho a agradecer que estamos todos com vida, com saúde. A gente vai vivendo um dia após o outro e, se precisar, a gente batalha e conquista tudo de novo”, destaca Marcilene.

Dragagem

A Secretaria de Infraestrutura de Santa Rita lembra que, recentemente, foi feito um serviço de dragagem e de limpeza na região próxima aos rios Paraíba e Preto. “A prefeitura realizou o serviço de dragagem 20 dias antes da primeira enchente, mas é importante ressaltar que esse transbordamento ocorre em razão do transbordamento do Rio Paraíba, que vai de encontro ao Rio Preto. Por isso, esse volume de água elevado — devido ao qual, mesmo com a dragagem, transbordou”, explica o secretário-executivo da pasta, Matheus Coutinho.

Cenário estadual

Diante das precipitações intensas, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano (Sedh) monitorou, durante o fim de semana, 77 municípios paraibanos para os quais o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) havia emitido alerta.

Em relatório divulgado no início da tarde de ontem, o órgão informou que 30 cidades já apresentavam situações sob controle, mas cinco permaneciam em condições críticas: Aroeiras, Fagundes, Mogeiro, São Miguel de Taipu e Salgado de São Félix. Nessas localidades, de acordo com a Sedh, foram contabilizadas 44 famílias desalojadas ou ilhadas, além de casas danificadas, estradas comprometidas, passagens destruídas e rompimento de açudes.

A Sedh frisa que segue mantendo contato com gestões municipais e equipes da Assistência Social e da Defesa Civil.

Related posts

Leave a Comment